quarta-feira, 28 de maio de 2008

V Congresso da USP/Jornada de Lutas - Grupo de Discussão: Financiamento e outras formas de mercantilização do Ensino

Grupo de Discussão – Financiamento e outras formas de mercantilização do Ensino às 9h

Ocorreu às 9h em frente à Reitoria o Grupo de Discussão sobre o tema “Financiamento e Outras Formas de Mercantilização do Ensino”.

V Congresso da USP/Jornada de Lutas: Manutenção do Piquete em frente à Reitoria

Manutenção do Piquete em frente à Reitoria às 6h

Manteve-se o Piquete dos estudantes na entrada da Reitoria a fim de impedir a entrada dos funcionários da Reitoria.

terça-feira, 27 de maio de 2008

V Congresso da USP/Jornada de Lutas - Grupo de Discussão: Ensino, Pesquisa e Extensão

Grupo de Discussão – Ensino, Pesquisa e Extensão – 27 de maio de 2008 às 18h40.

O Grupo de Discussão com o objetivo de discutir o tripé Ensino, Pesquisa e Extensão ocorreu na frente da Reitoria. Vários aspectos foram levantados pelos presentes de maneira a garantir o respeito ao tripé universitário de modo que se caminhe para assegurar o caráter público da Universidade.

Questionou-se a ausência de intercâmbio do conhecimento entre a Universidade e a Sociedade, sendo preciso pensar em formas de aprofundar essa relação. Apresentou-se o fato de que há hoje nas Universidades um ensino para o domínio da técnica e não para a sua manipulação. Foi proposto que todo o conhecimento produzido com os recursos humanos, técnicos e científicos da Universidade fossem de domínio e de propriedade pública. Foi defendido que se deve considerar ensino a construção de conhecimento, de modo que as aulas devem estimular e não reproduzir conhecimento.

Foi proposto, para a reafirmação do tripé, que os critérios de avaliação dos docentes não sejam calcados apenas na quantidade de pesquisa produzida, mas da qualidade da aula e na presença do mesmo em atividades de extensão, contribuindo com a indissociabilidade do Ensino, Pesquisa e Extensão.

Foi fortemente atacada a implementação na USP do ensino a distância como alternativa para formar professores para o Ensino Básico. Ressaltou-se que essa saída para aumentar o número de professores nas redes básicas de ensino respondem à falta de quantidade de docentes sem se questionar o porquê há essa escassez.

Quanto a Extensão, a discussão concentrou-se principalmente na definição do seu conceito. Segundo alguns, o conceito de extensão colocado no Estatuto da USP é tão amplo, que tudo o que não se enquadra nos eixos de Ensino e Pesquisa é considerado Extensão, o que possibilita que MBAs pagos caibam nesse conceito. Dessa maneira, procurou-se ao longo do debate caracterizar Extensão como algo que dialogue com a função social da Universidade. Ressaltou-se o conceito de Paulo Freire para a extensão que pode ser caracterizada como algo que se comunica com a sociedade, contrapondo a visão clássica de que Extensão é a atividade que parte da Universidade para a sociedade. A Extensão só se perfaz com a relação de igualdade entre Universidade e Sociedade.

V Congresso da USP/Jornada de Lutas - Grupo de Discussão: Estrutura de Poder

Grupo de Discussão – Estrutura de Poder - 27 de maio de 2008 às 14h.

Ocorrido na frente da Reitoria, o Grupo de Discussão tratou da Estrutura de Poder na nossa Universidade.

V Congresso da USP/Jornada de Lutas - Assembléia dos Professores - 27 de maio de 2008 - manhã

Assembléia dos Professores – 27 de maio de 2008 às 8h30.

Sem saber da resolução dos estudantes na noite de segunda-feira, 26 de maio de 2008, pela não realização do V Congresso e a mudança nos cronogramas de atividades, os professores concentraram-se para o que deveria ser a aprovação do regimento das atividades do V Congresso. Surpreendidos e informados da ausência dos estudantes, os professores realizaram Assembléia da categoria a fim de deliberar sobre a postura dos docentes frente às novas resoluções.

O tom da Assembléia dos Docentes foi de forte crítica à postura do Sintusp, entidade representativa dos funcionários, afirmando que os mesmos não se mobilizaram para conseguir a liberação do setor para o V Congresso e a própria postura de descaso dos funcionários ao abandonarem a Comissão Organizadora do V Congresso sem qualquer informe aos outros setores. Nesse sentido, os professores decidiram a manutenção do calendário previamente estabelecido para o V Congresso e a criação de um Encontro de Professores aberto a Estudantes e Funcionários.

Os professores não decidiram se participarão da Assembléia Paritária convocada pelos alunos para sexta-feira, dia 28 de maio de 2008.

As atividades dos professores ocorrerão no Anfiteatro do Prédio da História na Cidade Universitária.

V Congresso da USP/Jornada de Lutas - Piquete na Reitoria

Piquete na Reitoria – 27 de maio de 2008 às 6h.

Os alunos se juntaram às 6h da manhã nas duas entradas da porta da Reitoria, a fim de impedir a entrada dos funcionários para o trabalho na Reitoria. Não houve expediente para os funcionários na reitoria, contudo, continuou normal o trabalho dos funcionários em todo o restante da USP.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

V Congresso da USP - Assembléia dos Estudantes: definição dos rumos do V Congresso da USP

Assembléia dos Estudantes – 26 de maio de 2008 às 18h50

A Assembléia tem pauta única para a discussão dos V Congresso ante às dificuldades frente a desistência dos funcionários de participarem. Apresenta a necessidade de resolver qual será a papel dos estudantes na semana de 26 a 30 de maio de 2008.

Informes:

Sintusp – Os funcionários não participarão do Congresso, pois não aceitam a liberação só dos delegados. Segundo o representante dos funcionários os trabalhos continuam os mesmos já que com a situação de falta crônica de pessoal os outros ficarão sobrecarregados. Pensou-se na alternativa de paralização ao longo do congresso. Os funcionários disseram que a questão é muito complicada para o próprio profissional que paga o custo de uma greve. Sobre o aspecto político, numa discussão sobre democracia, a reitoria, que simplesmente orienta, gera uma situação desconfortável aos funcionários já que os mesmos não participarão com o mesmo estado de igualdade dos outros setores liberados. A ocupação da reitoria custou muito aos funcionários que agiram em defesa da ocupação sozinhos (DCE e ADUSP abandonaram a organização da Ocupação). Querem participar do debate em condições de igualdade. Essa decisão foi unânime dentro dos setores dos funcionários.

Adusp – Receberam a informação de que o Sintusp não participaria do V Congresso na última assembléia da Adusp. Para eles não há como pensar em Congresso sem uma categoria. Frente a isso a Adusp propôs duas resoluções: a imediata negociação entre a Reitoria e a Adusp; e não dá para ter congresso com a falta de uma categoria, assim, propõe aproveitar a oportunidade criada para um primeiro encontro entre professores e alunos nesse momento e posterior Congresso no segundo semestre de 2008.

APG – Houve uma reunião anterior ao encontro com três deliberações: defesa de encontro entre professores e alunos; manutenção dos delegados; manter o caráter deliberativo do encontro. Ressalta que os professores e alunos não são responsáveis pela escolha da reitoria e, nesse sentido, não há porque desconsiderar todo o esforço já alcançado.

Falas:

“O Congresso está sendo ameaçado pela reitoria da USP”;

“Luta mobilização e discussão deve ser o mote dessa semana”;

“Não há a possibilidade de deixarmos a semana vazia, pois isso é tudo que a reitoria quer”;

“As entidades representativas dos alunos, DCE, e dos professores, Adusp, não apoiaram os funcionários após a ocupação da reitoria da USP”;

“Não é a melhor maneira de combater a reitoria o encontro entre professores e estudantes. É preciso uma semana de mobilização e de luta contra a reitoria”;

“Precisamos fazer um ato de ocupação dos cursos pagos, que continuam funcionando fielmente”;

“É preciso manter os eixos políticos do congresso, já que são eles que qualificam os debates políticos”;

“A reforma do Estatuto está acontecendo sem a presença dos três setores”;

“É preciso levantar as pautas dos estudantes de maneira independente”;

“O governador José Serra é quem é o grande inimigo da Universidade, que já até interferiu em nossa universidade”;

“Não deve ter deliberação, já que faltarão os funcionários. É preciso a discussão com mobilização”;

“Os acordos conquistados na Ocupação da Reitoria de 2007 não estão sendo cumpridos. É preciso defender as conquistas da ocupação: Congresso, Moradia Estudantil e não punição dos alunos envolvidos”;

“É preciso fazer um congresso amplo dos estudantes, independentes, pois só assim vamos mudar a estrutura de poder na universidade. Não há mobilização dos estudantes nessa semana esvaziada”;

“Precisamos apoiar os atos dos funcionários, que sempre nos apoiaram”;

“É preciso exigir da reitoria que os funcionários sejam liberados”;

“Mudar apenas o nome é legitimar uma decisão da reitoria. Discuti sem funcionário é legitimar a exclusão deles”;

“A reitoria liberou apenas 70 vagas para os estudantes vindos do interior, grande fator de desmobilização”;

“Não estão sendo garantindo condições de eqüidade aos funcionários”;

“Devemos participar das lutas do setor mais explorado dessa universidade: os trabalhadores”;

“Para nós funcionários não foi surpresa o que foi feito com os funcionários. Os docentes, em inquérito policial contra os funcionários, negam que participaram e apoiaram a Ocupação da Reitoria”;

“Eu não sou funcionário da USP, sou trabalhador da USP”;

“A gestão do DCE do ano passado pelega que não apoiou a ocupação da reitoria, e a atual que desde o começo do ato quis a desocupação da reitoria”;

“Há dez anos eu grito nessa universidade pelo fim do vestibular. Subverter a ordem é não negociar a democracia. A democracia deve ser conquistada. Nós, funcionários, estamos com a consciência tranqüila e não estamos fazendo o jogo da reitoria. Queremos a verdadeira democracia e não a falsa democracia”;

“Não podemos perder a oportunidade de discutirmos qual modelo de universidade pública nós queremos”

Resoluções Aprovadas:

1) Dada a impossibilidade de liberação dos funcionários, por conta do impedimento da reitoria, os estudantes lutarão pela implementação de um novo congresso com a presença dos funcionários no 2º semestre – Aprovado – Delegado Grupo Paradigma votou a favor da proposta: é inviável a realização do V Congresso sem a presença dos funcionários, não liberados pela reitoria, sendo necessário a luta por um congresso com os 3 setores no segundo semestre.

2) Programação da Semana Formação do Congresso dos Estudantes

Criação de uma Jornada de Lutas – Aprovada

Delegado do Grupo Paradigma – Abstenção: não foi clara a proposta do que seria Jornada de Lutas, ou seja, quais eventos ela conteria, e o objetivo dessa semana é travar uma discussão com os três setores da Universidade.

3) Estruturação da Jornada de Lutas

Primeira Proposta: Piquete/Grupo de Discussão – não deliberativos /Ato

Terça-Feira: Piquete na Reitoria (Manhã - 6h)/GD - Estrutura de Poder (Tarde - 14h)/ GD - Ensino Pesquisa e Extensão (Noite - 18h)

Quarta-feira: GD - Fundações e outros mecanismos de mercantilização da universidade (Manhã - 9h), Financiamento, Acesso e Permanência (Tarde – 14h); Ato de Ocupação de Cursos Pago (Noite - 18h).

Quinta-Feira: Ato com o Fórum das Seis (Centro de São Paulo – Reitoria da UNESP), Debate sobre o Plano de Lutas (Tarde - 14h)

Sexta-Feira: Plenária com os três setores (Tarde – 14h)

Segunda Proposta: Calendário antigo com a troca das plenárias por atos;

Terceira Proposta: Calendário de Lutas sem Grupos de Discussão

Primeira Proposta: Aprovada

Delegado Grupo Paradigma: Votação na Segunda Proposta – possibilidade de aproveitar a estrutura criada, gera espaço para a realização de grupos de discussão entre os Estudantes.

Após esses resultados da Assembléia dos Estudantes pode-se afirmar que termina, sem ter começado, o V Congresso da USP.

V Congresso da USP - Debate de Abertura: "Da Universidade que temos à Universidade que queremos"

Debate: “Da Universidade que temos à Universidade que queremos” - 26 de maio de 2008 às 14h40

O debate que iniciou o V Congresso da USP discutiu o tema do próprio Congresso: “Da Universidade que temos à universidade que queremos”. O debate iniciou-se com uma exposição sobre a construção do V Congresso da USP

Os funcionários, sem a concessão de ponto pela Reitoria, optaram por não participar do V Congresso devido à impossibilidade de toda a classe participar do V Congresso, já que somente os delegados dos funcionários seriam liberados.

Os docentes propuseram, ante essa desistência dos funcionários, a conversão do espaço de Congresso para Encontro entre alunos e professores.

A mesa de abertura do Congresso fez a apresentação dos seus componentes e informou dos 40 anos do primeiro encontro entre professores e estudantes para a discussão da reestruturação da Universidade.

Os componentes da mesa representavam:

Associação dos Pós-Graduandos.

Representante do DCE

Representante da Adusp

Bernardino Ribeiro de Figueiredo – Participante da Comissão Paritária de Alunos e Professores de 1968 que propôs a primeira discussão sobre a estrutura de poder na Universidade de São Paulo.

Bernardino de Figueiredo:

Parabeniza as entidades presentes, afirma que o período de auge do movimento estudantil foi quando ocorreu a Comissão Paritária de 1968, entre alunos e professores, no intuito de discutir uma Reforma Universitária e a Reestruturação da USP na Faculdade de Filosofia. Foram abordados aspectos conjunturais da época. Em 22 de junho de 1968 ocupa-se a sede da Faculdade de Filosofia na Rua Maria Antônia. A ocupação contou, além dos alunos, com a participação de professores de cunho mais progressistas. Aprovou-se uma Comissão Paritária de alunos e professores para a discussão dos rumos da Universidade na Congregação da Faculdade de Filosofia. Participaram desse encontro os cursos de Física, Biologia, Geografia, Ciências Sociais, História, Letras, Geologia, Matemática, Pedagogia, Psicologia, Química, e representantes da administração da Universidade.

As propostas se basearam nas seguintes idéias: visão de uma universidade crítica de si mesma e da sociedade que tem a capacidade de concentrar as forças técnicas, propugnar a extinção das cátedras vitalícias, apoiar a paridade nos núcleos de poder, pedir a expansão de vagas, propor a criação de um órgão consultivo entre sociedade e universidade, defender a autonomia frente aos governos, a luta pela garantia de percentual fixo da arrecadação para a universidade (implantado após 1989). Quanto à visão do ensino: a Comissão propôs a realização de apenas dois grandes vestibulares em duas grandes áreas, Ciências e as Humanidades; para o ensino foi apresentado que o mesmo se proceda em dois ciclos: 1º Ciclo - 2 semestres - optativas livres (proposição de centro de orientação pedagógica e profissional), bem como a exposição dos pré-requisitos necessários para as matérias do próximo ciclo; 2ª Ciclo – para a entrada nos cursos específicos fazia-se necessário observar: quantidade de vagas, rendimento do aluno nas matérias dos ciclos anteriores e preenchimento dos pré-requisitos.

Para os docentes, a Comissão Paritária de Reforma propôs para a progressão na carreira o critério de desempenho e fim dos concursos para admissão, dando lugar a uma busca seletiva de talentos nacionais e internacionais.

Para os palestrantes a proposta de reforma apresentada pela Comissão Paritária da USP só prosperou devido a extensão do movimento que abrangia várias universidades do Brasil e diversas unidades da própria USP em muitos atos anteriores a 68.

O documento preparado foi enviado à reitoria. O Reitor da USP, que permitiu a implantação da Comissão Paritária, renunciara devido à ocupação da Faculdade de Filosofia da Maria Antônia que posteriormente é queimada. O novo Reitor mantém as discussões sobre a comissão paritária e a declara soberana para o início de Dezembro de 1968. Mesmo sob a declaração do Ato Institucional nº 05, em 3 de dezembro, os trabalhos da Comissão não são interrompidos, de modo que ocorre em abril de 1969 a ratificação das decisões da Comissão Paritária. Contudo, o Reitor é cassado, sendo escolhido para substituí-lo, o professor da Faculdade de Direito, Alfredo Buzaid, cujo objetivo era apresentar plano diverso da estrutura burocrática na Universidade, culminando com a rejeição de todo o trabalho que foi realizado pela Comissão Paritária.

Para o palestrante, nossa universidade vai contra a produção de pesquisas interdisciplinares. Acredita que é preciso pensar mais no cotidiano da universidade do que especificamente na sua estrutura de poder. Cita Boaventura de Souza Santos nos aspectos do acesso, políticas afirmativas, fortalecimento das tarefas de extensão, reorientação da universidade para dialogar com a sociedade, e, principalmente, reafirmar o compromisso da universidade com a preparação de professores para o Ensino Básico, uma carência de nosso país, fazendo da Universidade uma real “Ecologia dos Saberes”. Segundo ele, é preciso compreender uma universidade mais equilibrada que consiga olhar os movimentos sociais e os saberes científicos e culturais com a proposição do mercado. A oposição que existe na universidade brasileira é a de professores e alunos progressistas contra alunos e professores “fascistóides”, e não entre professores e alunos. Rememora o Maio de 68 com a mensagem da necessidade da imaginação para o poder com a proposição das idéias.

Representante do DCE:

Os decretos do Governador Serra impuseram à Universidade o seu desmembramento com a implementação de uma visão exclusivamente mercadológica de ensino ferindo a autonomia universitária. Esse processo continua em andamento e é preciso que seja substituído por uma visão coletiva que estamos construindo. Nesse sentido, é preciso compreender o jargão de uma universidade pública, gratuidade, laica e de qualidade. O público advém de uma conseqüência da Revolução Francesa e propugna uma universidade de todos. O laico significa o não comprometimento com nenhuma instituição. O gratuito tem hoje uma grande dificuldade de se concretizar, pois não há universidade gratuita, num mundo com uma lógica privatista, sociedade essa na qual a universidade representa poder às classes dominantes para dominar as classes mais subalternas da sociedade.

A USP surgiu em 1934 das mentes da oligarquia paulista, projetando a USP como produção de conhecimento da elite para a elite. Assim, nasce como uma instituição que forma os quadros de direção voltados ao projeto de dominação de uma classe para a outra. Há um pólo de produção de conhecimento com um outro de manutenção do status quo. Questiona a debatedora, se há a possibilidade de criação de uma fissura dessa estrutura na universidade. Para ela, a resposta passa necessariamente por um debate sobre a questão da inclusão na Universidade de São Paulo. O INCLUSP não se propõe a incluir pessoas do cenário da universidade. As universidade particulares criaram hoje cursos técnicos sem a mínima contextualização da sociedade, a fim de formar apenas mão de obra barata para o mercado. Esse processo desbanca na mercantilização da educação. Desse seio, as fundação presentes na Universidade se utilizam dos recursos humanos e físicos numa relação de exploração do público, que muito embora não tenham lucro em suas atividades, seus rendimentos infimamente retornam à USP. Questiona a própria base do financiamento da universidade pública, o ICMS, já que como imposto regressivo onera principalmente as classes mais pobres excluídas da universidade. Destaca a necessidade de discussão sobre os regimes de trabalho com o caso das terceirizações na Universidade.

Representante da APG:

Alega que o principal problema é o da distribuição da igualdade social. Tem-se uma mudança da configuração do que é o ensino hoje verificada pela separação entre o ensino e a pesquisa. Nesse sentido, questiona os mecanismos de propriedade intelectual colocados hoje na universidade. Sua conseqüência é a redução da comunicação entre os trabalhos produzidos. A Universidade deve ter condições de determinar suas próprias formas de comunicação de modo a criar mecanismos em que o conhecimento produzido tenha diálogo com a sociedade civil.

Representante da Adusp:

Deve-se planejar o futuro da Universidade de modo a requerer que a universidade se planeje para a instalação de uma Estatuinte Democrática. A Adusp trabalhou para que a reitoria liberasse a participação plena dos funcionários no 5º Congresso. Apesar de todos esses fatores a semana sem aula projeta a possibilidade de uma discussão qualificada para a preparação de uma estatuinte que planejamos.

Conclui-se a primeira atividade da semana, foi lembrado que às 8h30 da manhã haverá a plenária de instalação de discussão do regimento do V Congresso.

V Congresso da USP - Credenciamento

Credenciamento dos Delegados e Suplentes – 26 de maio de 2008 às 14h


O credenciamento dos delegados foi prejudicado pelo atraso da Comissão Organizadora do V Congresso. As unidades de fora da Cidade Universitária tiveram problemas com a diretoria do DCE de modo que não ficaram prontas as credencias dos delegados do Direito.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

V Congresso da USP - Carta de Ação

GRUPO PARADIGMA

CARTA DE AÇÃO PARA O V CONGRESSO DA USP


Contra o Aparelhamento do Movimento Estudantil: As pautas estudantis devem zelar pela sua independência frente aos Partidos Políticos, devendo as demandas serem orientadas apenas pela vontade dos estudantes. Essa proposta tem por objetivo se contrapor à posição já solidificada no Movimento Estudantil de influência dos Partidos Políticos, que financiam e controlam as atividades de diversos grupos políticos estudantis, tanto na definição de pautas a serem defendidas quanto na de ações a serem tomadas. Assim, o Movimento Estudantil acaba refém de objetivos a ele alheios e naturalmente parciais. Perde-se a capacidade crítica genuína, pois a submissão a tais grupos impede a opinião desvinculada, compromissada apenas com o melhor para a Universidade. Afirmamos nossa posição de acreditar em práticas estudantis independentes do aparelhamento partidário, devendo todos pensar a Universidade como alunos, de maneira livre e construtiva.

Contra as Diretas para Reitor: As eleições diretas não alteram de maneira democrática o quadro de poder na Universidade, já que apenas desloca dos professores aos alunos o poder decisório, preservando uma visão incompleta do conjunto da Universidade. A eleição, tradicionalmente defendida no modelo de “uma cabeça, um voto”, apresentaria uma esmagadora maioria dos estudantes. Os estudantes, como cada um dos setores, representam apenas uma parte dos anseios e necessidades da Universidade, só sendo possível qualquer mudança real com a harmonização de todas as visões e interesses. Além disso, as diretas trariam o perigo de uma negativa politização da relação professor-aluno, com fins eleitorais, subjugando-se o interesse público inerente à Universidade em troca de votos. Dessa maneira, defendemos sistemas que caminhem na direção de uma maior abrangência e participação dos setores de maneira igualitária.

A favor de uma maior democratização dos espaços deliberativos da USP: Acreditamos que para uma Universidade efetivamente democrática é preciso um incremento da participação dos setores hoje subjugados – alunos e funcionários – nas instâncias de decisão da Universidade. Essa participação deve, entretanto, se atentar aos limites e interesses de cada setor; de modo que decisões de nossa Universidade fiquem protegidas do mero arbítrio político. Acreditamos que uma real democracia não pode se limitar à participação, mas também a um intenso trabalho de publicidade das decisões e de transparência da estrutura organizacional de nossa Universidade, principalmente de modo a estimular uma efetiva participação, além da mera divulgação formal. Portanto, o grupo fará intenso trabalho para que as propostas de participação e publicidade das informações dentro das instâncias de nossa Universidade sejam defendidas no V Congresso.

A favor da discussão qualificada sobre Fundações: Essas não são por natureza prejudiciais nem benéficas à USP. É preciso uma discussão em concreto, investigando se os interesses das Fundações estão alinhados aos da Universidade. É preciso compreender que as Fundações que se relacionam com esta ou qualquer outra Universidade e participam do processo de pesquisa, ensino e extensão, não devem condicionar a Universidade a seus interesses, mas sim se alinhar aos dessa. É preciso que ocorra um equilíbrio de benefícios na relação entre as Fundações e Universidade de modo que se alinhem os interesses da Fundação com os princípios e valores de uma Universidade Pública. Se assim o for, deve ser estimulada a sua participação na Universidade, e um necessário afastamento em caso contrário. Acreditamos que para realizar essa avaliação é preciso, principalmente, maior transparência na relação entre Fundações e a USP, para que seja possível efetivamente averiguar como se estabelece tal vínculo.

A favor da reformulação das grades curriculares de maneira responsável: Acreditamos que é adequado e importante se pensar em adaptações às demandas modernas da sociedade em cada curso. Contudo, entendemos que as mudanças devem ser realizadas considerando as necessidades verificadas pelos próprios cursos. Nesse sentido, é de especial interesse a realidade de nossa Academia; que está em fase de implementação e avaliação de uma nova grade. Cremos que, antes de uma “reformulação geral das grades dos cursos”, é mais importante pensar na instituição em cada Unidade, de uma Comissão Permanente de Acompanhamento das grades curriculares já existentes, para que as eventuais mudanças possam ser realizadas de maneira efetiva e adequadas.

Cartaz - Diário do V Congresso

DIÁRIO DO V CONGRESSO



Acompanhe o dia-a-dia do V Congresso da USP no blog
do Grupo Paradigma, com atualizações diárias das atividades e
votações. O Grupo Paradigma assume o compromisso de
informar também a atuação de seus delegados, caso eleitos.
Contamos com seu voto.

Eleições dias 19 e 20 de maio, das 9h às 13h no período da
manhã e das 18h às 22h no período da noite.

 

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